O inferno de Gramsci

O inferno de Gramsci

Símbolo morto…
Memória morta…
E os “brazucas” tomando uma cervejinha gelada, comemorando a miséria construída com muito afinco.
Baixeza da eleição de um povo.
Escolhas feitas no presente e no passado.
Eu sou deste povo.
Porém, com olhos marejados, presencio uma cena que mexe com o imaginário de qualquer espectador.
A última cena de um filme de terror.
O último ato.
Chamas na Quinta!
“A cultura vira cinzas na fogueira de Gramsci”.
Bem diante de minha não tão “Boa Vista”, enfrento o inferno.
Testemunho a história virando pó debaixo de narizes empinados,
Soberbamente erguidos pelo poder de quem divide a todos nós, e aniquila tudo que temos e somos…
Basta um gesto suicida, como o dedo erguido de um déspota pouco esclarecido, para que uma nação seja lançada ao fogo.
Tudo é realidade. A decrepitude moral fere nossa lápide.
Nos resta o luto pelo que nunca fomos.
O lamento por tudo que poderíamos ser.
Mas recomeçaremos após o luto!
Não duvidem!
Tijolo a tijolo,
Passo a passo,
Remontaremos nossa dignidade, sem esquecer das lágrimas que agora turvam as nossas retinas…
Indubitavelmente, recomeçaremos.
Não temos opção.
Recordaremos destas chamas.
Das labaredas que consomem nossa identidade.
Da fumaça com cheiro de desgraça.
Jamais olvidaremos o semblante dos enviados de satanás, ou mesmo dos que foram seduzidos pelo inimigo.
Gente tacanha de alma fétida!
Alimentam o fogaréu ensandecido.
Enlouquecido por apagar imagens e memórias de uma nação que dorme sobre a preguiça mental daqueles que esperam o final de um espetáculo sádico…
Satânico…
São estes os mesmos que renderão aos aliados do “tinhoso” as mais efusivas homenagens.
É… talvez o “teatro” seja um “manicômio”.
Talvez não.
A ignorância profunda é pior que a demência e, em certa medida, são siamesas.
O que será deste país?
Talvez o louco seja eu: um órfão cultural tentando apagar as chamas da vergonha.
Talvez eu seja um louco por querer gritar a dor que as queimaduras me provocam.
Talvez seja insano por tentar, com baldes de lágrimas, enfrentar brasas construídas por tamanha perversidade.
Quem sabe?
Até a cortina se fechar, haverá esperança.
A fé alimentará os filhos gratos,
A Mãe não será abandonada.
Enquanto isso…
Dai-me ciência, Senhor! E um bocado de paciência… Pois ainda ouço a macabra voz que anuncia:
“Respeitável público – Eis o inferno de Gramsci!”

  Autor: Harley Wanzeller 02.09.2018

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