A Saga de Maria Lusitana

A Saga de Maria Lusitana

Que culpa tenho eu?
De ter nascido Maria
E de querer minha Terra
Como filha bastarda parida.
Que culpa tenho eu?
Que culpa?
Lusitana querida!
Um dia, sonho com um fado,
Em outro, com um abraço farto,
A realidade me é doída.
Minha Lusitana querida!
Negada pela simplicidade d’um amor humilde.
Ungida por escolher a distância da fidalguia
Sofri pelas nobres escolhas
De uma mãe aguerrida,
Decidida a viver o amor de sua vida.
E que culpa?
Que culpa tenho eu?
Lusitana querida!
Em última tentativa, fui te encontrar.
Enchi meu coração de esperanças
Projetando bonanças em minha Terra querida.
Desilusão.
Meu coração pranteou em um portão que estampava meu nome.
No último flerte,
Fui verte para nunca mais…
Jamais voltarei a esta Terra,
Minha Portugal,
Lusitana querida!
Voltei com mala e rancor,
Refiz minha vida em verde e amarelo.
Toda lembrança trazida
Renovava o amor vivido.
A cada filho tido,
Cada neto recebido,
Havia sangue verde e vermelho
Pulsando nas veias.
Assim fui aprendendo.
À peias.
Era melhor assim: Viver longe.
Deste modo vivi.
Feliz,
Alegre,
Risonha…
Com família nova,
Tropical,
E um mundo de lembranças…
Um dia esquecerei tanta amargura,
Tanto sofrimento,
E tamanha rejeição.
Tudo será esquecido.
E nada será em vão.
Obras de um coração:
O coração de Maria,
Que mesmo ferida,
Não esqueceu a Terra amada,
E ocultou até o derradeiro suspiro,
Um amor sublime por uma família bastarda.
Chora Portugal!
Perdeste Tu!
Esqueceste uma certa filha.
A tão amada Maria…
Jamais serás tão desejada.


Harley Wanzeller. 08.07.2018

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *